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terça-feira, 10 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27808: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (63): O antigo hospital militar, HM 241 (e depois "complexo hospitalar 3 de agosto"): "E tudo o vento levou"...


Foto nº 1


Foto nº 2


Foto nº 3

Guiné-Bissau >Bissau > Bairro da Ajuda, na estrada Bissau - Brá - Bissalanca > Antigo Hospital Militar 241, depois Complexo Hospitalar 3 de Agosto, a seguir a independência, e que rapidamente se degradou até à ruína total > 4 de março de 2026 >  Eis o que resta hoje...

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Guiné > Bissau > "O Pavilhão de Tisiologia do Hospital de Bissau foi projetado por Lucínio Cruz e Mário de Oliveira, entre 1951 e 1953 para doentes tuberculosos, e construído a pedido do governo da província à entrada de Bissalanca, a cerca de 6 km do centro da cidade, numa altura em que algumas valências são gradualmente implantadas fora do sector hospitalar existente no centro de Bissau. Erguido no recinto do atual Hospital 3 de Agosto, atualmente em ruínas, em 1962 funciona já como novo hospital militar, situação que se prolonga com a guerra colonial." (Ana Vaz Milheiro)

 Foto (e legenda): © Mário Beja Santos (2013). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Mensagem do Patricio Ribeiro,  "embaixador"  da Tabanca Grande em Bissau:

Data - quarta, 4/03/2026, 20:39
Assunto - Antigo Hospital Militar

Luís,
Hoje foi com surpresa que vi que já não há as paredes do Hospital "3 de Agosto", o antigo hospital militar português onde muitos sobreviveram.

Abraço, Patrício

2. Comentário do editor LG:

Pois é, Patrício, andamos todos distraídos... Há muito que esta unidade de saúde era uma ruína completa: já em 1994 chocava os profissionais que lá haviam trabalhado...  Chegou a ser, no tempo da outra senhora, o melhor hospital da África, subsariana, com exclusão da África Austral do "Apartheid"

Vd. aqui uma reportagem da RTP:

Degradação do Hospital Militar na Guiné-Bissau

1994-08-25 00:02:49

Bissau, degradação do Hospital Militar choca aqueles que lá trabalharam, pois era considerado o melhor equipado, de todas as colónias portuguesas.

Resumo analítico: Imagens de arquivo do hospital totalmente degradado, da Guerra Colonial e ferido em maca; declarações de Felino Almeida, antigo diretor do hospital, sobre o imperdoável estado de conservação.

Fonte: RTP Arquivos

Soubemos agora, por pesquisa na Net, que a demolição do antigo Complexo Hospitalar 3 de Agosto em Bissau, Guiné-Bissau, já tinha tido início em abril de 2025, devendo em seu lugar construir-se um novo Hospital de Referência. 

Segundo notícias de Bissau, a infraestrutura original, abandonada após a independência e em ruínas, é (ou era) para  ser substituída por um "hospital moderno com tecnologia de ponta" (sic), numa área de 33 mil metros quadrados, fruto da cooperação com os Emirados Árabes Unidos. Pelo menos era essa promessa (!)  do deposto Presidente da República Umaro Sissoco Embaló, há quase um ano atrás.

Pelo que se deduz das fotos recentes do Patrício Ribeiro, o edifício (ou o que dele restava, as paredes) foi arrasado pelas máquinas da engenharia militar mas ainda não há notícias (nem sequer um foto da primeira pedra) do prometido novo hospital de chave na mão....

quarta-feira, 4 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27791: Fotos à procura de... uma legenda (199): Bissau, 1968: que edifício era (é) este ? E em que zona ?


Foto nº 1 > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau" (tudo indica que a foto tenha sido tirada da  varanda do 1º ou 2º andar da casa do fotógrafo, Eduardo Figueiredo, nosso camarada da CCS/ BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69 (entretanto falecido segundo o Virgílio Teixeira, que foi seu companmheiro de quarto no CTIG).

Foto alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Quem reconhece esta rua ou esta zona  de Bissau, de final da década de 1960 ? E quem identifica o edifício do lado esquerdo, uma obra claramente do Estado Novo, portanto, um edifício público ?

Numa primeira impressão, pareceu-nos ser  as traseiras do antigo Hospital Central de Bissau (hoje Hospital Nacional Simão Mendes, sito no quarteirão definido pela Av Pansau na Isna, paralela à Av Amílcar Cabral, do lado esquerdo de quem desce para o estuário do Geba) e pela sua perpendicular, a Rua  Eduardo Mondlane (Vd. infografia a seguir, nº 1A),



Infografia 1A > Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > Posição relativa  do Hospital Nacional Simão Mendes,  sito no quarteirão definido pela Av Pansau Na Isna (paralela à artéria principal da zona histórica, a Av Amílcar Cabral) e pela Rua Eduardo Mondlane, que tem nos seus extremos, a noroeste os Serviços Metereológicos, e a a sudeste, o cemitário.


Infografia nº 1B  >Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) >  No quarteirão definido pela atual Av Pansau Na Isna e a Rua Eduardo Mondlane, há 3 edifícios da época colonial: Hospital de Bissau (5), Pavilhão de Tisiologia (7) e Pavilhão Central do Hospital de Bissau (9). No outro extremo da Rua Eduardo Mondlane, fica(va) a Estação Metereológica da Guiné (8). Esta era, já na época, a mais comprida da Bissau Velho (c. 2 km).

Mais uma ajuda, em relação à toponímia de Bissau, a partir de 1975: Av Amílcar Cabral era a antiga Av República; a Av Pansau Na Isna, a antiga Av Alm Américo Tomás; a Av Domingos Ramos, a antiga Av Governador Carvalho Viegas; a Praça dos Heróis Nacionais, a antiga Praça do Império; a Rua Eduardo Mondlane, a antiga Rua Sá Carneiro (homenagem ao eng. Rui Sá Carneiro, antigo subsecretário de Estado das Colónias, que visitou a Guiné em 1947, ao tempo do governador Sarmento Rodrigues).

Fonte: Milheiro, Ana Vaz, e Dias, Eduardo Costa - A Arquitectura em Bissau e os Gabinetes de Urbanização colonial (1944-1974). usjt - arq urb , nº 2, 2009 (2º semestre), pp.80-114 [ Disponível aqui em pdf ]
 



 Infografia nº 1C > Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > A  norte do Hospital de Bissau ficava o bairro do Cupelon ou "Pilão",   à esquerda da nossa conhecida estrada de Santa Luzia... Aqui, em Santa Luziua, havia dois quartíes, o das Transmissões e do QG/CTIG

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



2. Mas, observando melhor, o edifício da foto nº 1 tem uma guarita de cada lado, nas pontas (Foto nº 1A)... Logo, seria um estabelecimento militar... Mas com aquela volumetria ?  E logo no edifício a seguir, há uma torre, escadas de acesso, ou estação elevtória de águas (?)... E mais ao fundo, parece-nos descortinar um parque de viaturas automóveis (camiões militares ?) (Foto nº 1B).

Por outro lado, o fim da rua parece ir dar a uma  zona de mato, já nos arredores da entáo pequena cidade de Bissau que, em finais da década de 1960, não tinha mais do que 70 mil habitantes (cerca de 15% do total da população da Guiné no tempo de Spínola, não contando os refiugiados nos países limítrofes).

Refira-se, além disso, a presença de  antenas verticais muito altas, típicas de comunicações HF/VHF militares da época... Tudo indica que essa seria a zona do Quartel de Santa Luzia, o centro de transmissões do CTIG, com mastros bem visíveis à distância que eram uma referência na paisagem urbana da Bissau colonial da época;

Mas tanto o o quartel do Serviço de Transmissões como o do QG/CTIG eram construções típicas, mais recentes, da Engenharia Militar.

Resumindo, e reformulando a pergunta: este  edifício à esquerda, comprido, de dois pisos, com janelas repetitivas em ritmo regular, cobertura inclinada com claraboias, de estilo arquitetónico estado-novista (Foto nº 1)...,   seria o quê ? E onde se situava ?
 


Foto nº 1A  > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau" 



Foto nº 1B > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"




Foto nº 1C > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"


Foto nº 1D > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"



Foto nº 2 > Guiné-Bissau > Bissau > Hospital Nacional Simão Mendes, na Av Pansau Na Isna. Foto da publicação Estamos a Trabalhar. Página do Facebook, 9 de março de 2025, 19:06 (sem indicação de autoria) (Com a devida vénia...)

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 12 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27728: Fotos à procura de... uma legenda (198): Restos da "batalha de Madina do Boé"...

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Guiné 61/74 - P20315: Memória dos lugares (397): Roteiro de Bissau: velhas e novas toponímias, velhas e novas geografias emocionais... (David Guimarães / Humberto Reis / A. Marques Lopes / Agostinho Gaspar)



Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Bissau > Av Domingos Ramos > 2001 > O mercado municipal, aliás, "Mercado Central"  (entre a Av Domingos Ramos e a R Vitorino Costa, vd. o mapa da Google)... A mesma tabuleta esmaltada de há trinta e tal anos atrás...




Foto nº 2 > Guiné-Bissau > Bissau > 2001 > Edifício colonial em ruínas, em frente à antiga Casa Pintosinho [de António Pinto), um dos sítios em Bissau onde comíamos as célebres ostras. Devia ser  na Rua Oliveira Salazar, hoje  Rua Guerra Mendes (paralela à Marginal, agora Av 3 de Agosto, segundo o mapa da Google). Originalmente terá pertencido à Casa Gouveia, fundada por António Silva Gouveia. (A Casa Gouveia mudou para as mãos da CUF em 1927.)




Foto nº 3 > Guiné-Bissau > Bissau > 2001 > A marginal (hoje Av 3 de Agosto) e, em segundo plano, à esquerda, o antigo Pelicano, de saudosa memória. Ao fundo, veem-se os contentores do porto de Bissau (vd. mapa do Google)... O alcatrão há muito que tinha desaparecido.

Fotos nºs 1 a 3  (e legendas) : © David Guimarães (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 4 > Guiné-Bissau > Bissau > 1996 > Aspecto pouco abonatório do estado de conservação do "Pelicano,  Restaurante, Bar, Night Cub"... Em 1970 era o melhor café-esplanada de Bissau.


Foto (e legenda): © Humberto Reis (2005). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 5 > Guiné-Bissau > Bissau > Av Domingos Ramos > 2001 > À esquerda uma agência do BAO - Banco da Africa Ocidental




Foto nº 6 > Guiné-Bissau > Bissau > Av Amílcar Cabral (antiga Av República) (vd. mapa do Google)  > 2001 >  À esquerda a Pensão D. Berta... A saudosa Berta de Oliveira Bento, cabo-verdiana radicada na Guiné Bissau há várias décadas, faleceu  em 2012, aos 88 anos. Não deixou filhos, mas tinha muitos amigos.


Foto nº 7 < Guiné-Bissau > Bissau > 2001>  Bomba da GALP... Era aqui o antigo Café Bento ou a famosa 5ª Repartição do tempo da guerra colonial.  Ficava na Rua Tomás Ribeiro, hoje Rua António Nbana. O posto de combustível da GALP, é o único na Bissau Velha, pelo mapa do Google fica na Av Amílcar Cabral, fazendo esquina com a R António Nbana. A RTP África também fica aqui perto.

O Café Bento era um dos nossos locais de convívio, dos gajos do mato, dos desenfiados e sobretudo dos heróis da guerra do ar condicionado. Havia 4 grandes repartições militares em Bissau mas a 5ª, o Café Bento, era a mais famosa, porque era lá que paravam todos os "tugas" que estavam em (ou iam a) Bissau, gozar as "delícias do sistema".



Foto nº 8 > Guiné-Bissau > Bissau > 2001 > Praceta junto ao Forte da Amura (construção militar setecentista), por detrás do Zé da Amura, que fica na rua Capitão Barata Feio (hoje, Rua 24 de Setembro)... Confunde-se o Zé da Amura com o Café Bento (que ficava na Rua Tomás Ribeiro, hoje Rua António Nbana).

Fotos nº 5 a 8 (e legendas): © David Guimarães (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Foto nº 9 > Guiné-Bissau > Bissau > 1998: O velho forte da Amura com os seus canhões de bronze

Foto (e legenda): © A. Marques Lopes (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Foto nº 10 > Guiné-Bissau > Bissau > 2001>    Estrada para o aeroporto ,em Bissalanca. Agora, Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira. À esquerda,  o célebre mercado de Bandim, que ficava a sudoeste da  cidadezinha colonial de Bissau que nós conhecemos: primeiro o Chão de Papel e depois Bandim  (Vd. mapa do Google).

 Foto (e legendas): © David Guimarães (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Foto nº 11 > Guiné-Bissau > Bissau >1998: A cidade de Bissau, vista do lado sudoeste; ao fundo, as duas torres da catedral de Bissau (que fica na Av Amílcar Cabral, antiga Av República, vd. mapa do Google)

Foto (e legenda): © A. Marques Lopes (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Guiné > Bissau > s/d [. c 19690/70] > "Praça Honório Barreto e Hotel Portugal"... Bilhete postal, nº 130, Edição "Foto Serra" (Colecção "Guiné Portuguesa") (Detalhe). Colecção: Agostinho Gaspar / Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2010)

Agora a Praça chama-se Che Guevara (vd. mapa do Google)... e o antigo Hotel Portugal agora é Hotel  Kalliste...


1. Há quem lhe chame "saudosismo mórbido, doentio"...  Saudosismo ? Não gosto do termo... Não, não é saudades do "antigamente".  Hoje a Guiné-Bissau é um país independente e pertence à CPLP...  Há um passado que foi irredemediavelmente ultrapassado, pelos dois povos... Mas há também  uma convivência entre esses mesmos dois povos,  há uma história, um património material e imaterial... partilhado por ambos.

Já nada disto existe, a ser não na memória de alguns de nós...Existem as ruas, com outros nomes, existe a maior parte dos edifícios, uns em ruina, outros readaptados... Mas são memórias a que temos direito, aqueles de nós que por lá passámos, não só entre 1961 e 1974 mas depois, nas tais viagens de "saudade" (e não de "saudosismo")... São memórias dos lugares (*). São lugares, são paisagens, que não pertencem a ninguém...  São novas e velhas toponímias, não novas e velhas geografias emocionais...

As imagens de Lisboa ou de Bissau não pertencem a ninguém. As paisagens não pertencem a ninguém. Tal como as cores, os sabores. os cheiros... dos sítios por onde passamos.  Como a terra, que é de todos nós.  Um tsunami (de que Deus, Alá, Jeová e os bons irãs da Tabanca Grande, todos juntos, nos livrem!) pode destruir Lisboa ou Bissau. Mas as imagens, as memórias, essas, ficarão connosco enquanto formos vivos e enquanto existirem os seus suportes digitais: os nossos textos, as nossas fotos, os nossos documentos, este blogue, que não é mais do que um sítio, virtual, onde partilhamos memórias (e afetos), e que oxalá/enxalé/inshallah possa sobreviver-nos...

Adicionalmente, no poste P12980, pode-se ver alguns dos edifícios públicos, com interesse arquitetónico que por lá ficaram, em Bissau, e que é pena se os guineenses não cuidarem deles,  com a nossa ajuda (**)... Sabemos que os guineenses têm outras prioridades mais prementes, como o pão para a boca, o emprego, a saúde, a educção, a paz..., a estabilidade política e a normalidade democrática que, infelizmente, ainda não conseguiram alcançar, quase meio século depois da independência.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Guiné 63/74 - P14211: Memória dos lugares (285): Fortaleza da Amura, estátua de Diogo Gomes, ponte cais de Bissau e edifício da Alfândega (Arménio Estorninho / Agostinho Gaspar / António Bastos)


Guiné > Bissau > c. 1970 > Fortaleza da Amura, ao fundo,  vista da ponte cais


Guiné > Bissau > c. 1970 > Muralhas da fortaleza da Amura (aldo sul), junto à avenida marginal; do aldo direito (não vísível da imagem) a praça de Diogo Gomes (navegador português do séc. XV)

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 Guiné > Bissau > c. 1970 > Praça e estátua de Diogo Gomes frente à ponte cais de Bissau... Ao fundo, muralhas da fortaleza da Amura. Segundo Ana Vaz Milheiro, especialista em arquitetura colonial do Estado Novo, o pedestal (agora vazio) da estátua do Diogo Gomes ainda lá está, tal como a inscrição, um exerto do canto VII dos Lusíadas, "Mais mundo houvera"... O pedestal é obra do Gabiente de Urbanização do Ultramar. A estátua (removida para o forte do Cacheu) deve ser da autoria do escultor Joaquim Correia, autor de monumento análogo que ainda hoje está de pé na cidade da Praia, Cabo Verde. Esta e outras estátuas (Honório Barreto, Nuno Tristão, Teixeira Pinto) faziam parte de "um escrupuloso programa de 'aformoseamento' do espaço público", integrado nas comemorações do 5º centenário do desembarque de Nuno Tristão. na altura do governo de Sarmento Rodrigues (1945-48). No entanto, a colocação das estátuas destas figuras históricas da colonização só será efetuada na segunda metade da década de 1950 [Vd. Ana Vaz Milheiro - 2011, Guiné-Bissau. Lisboa, Círculo de Ideias, 2012. (Coleção Viagens, 5), pp. 32-33].




Guiné > Bissau > Fortaleza da Amura > c. 1970 > Vista do lado sul, ou seja, do Rio Geba. Entre o rio e a Amura ficava a praça de Diogo Gomes (com a respetiva estátua do navegador da casa do Infante Dom Henrique, tal como Nuno Tristão) e o porto de Bissau (à direita o cais do Pidjiguiti, não vísível na imagem,  e à esquerda a ponte-cais de Bissau onde muitos de nós desembarcámos...).

Fotos do álbum de Arménio Estorninho, ex-1.º Cabo Mec Auto Rodas, CCAÇ 2381, IngoréAldeia Formosa, Buba e Empada, 1968/70.

Fotos: © Arménio Estorninho (2015). Todos os direitos reservados [Edição: LG]



Guiné > Bissau > s/d > Vista aérea da Ponte Cais, e de parte da zona ribeirinha da Bissau Velha: à direita o edificio da Alfândega, em frente a praça e a estátua de Diogo Gomes e portão de armas e as muralhas (lado sul) do forte de São José da Amura (, coberto de seculares poilões)... Do lado esquerdo (e já não visível na imagem) ficava o cais do Pidjuiguiti.

A ponte-cais do porto de Bissau  (obra emblemática do governo de Sarmento Rodrigues, re,omtando o início das obras a julho de 1948) é inaugurada em 1953 por Raúl Ventura, subsecretário de estado do Ministério do Ultramar, sendo Sarmento Rodrigues ministro da tutela.

Pormenor de: Bissau. Bilhete Postal, Colecção "Guiné Portuguesa, 119" . (Edição Foto Serra, COP 239 Bissau. Impresso em Portugal, Imprimarte - Publicações e Artes Gráficas, SARL).


Guiné > Bissau > s/d > Vista  da ponte-cais (ou porto) de Bissau, a partir da praça Diogo Gomes).

Pormenor de: Bissau. Bilhete Postal, Colecção "Guiné Portuguesa, 119" . (Edição Foto Serra, COP 239 Bissau. Impresso em Portugal, Imprimarte - Publicações e Artes Gráficas, SARL).

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Guiné > Bissau > s/d  [c. 1960/70] > Pormenor de monumento a Diogo Gomes (às vezes confundido com Diogo Cão) e Edifício das Alfândegas > Bilhete Postal, Colecção "Guiné Portuguesa, 136". (Edição Foto Serra, C.P. 239 Bissau. Impresso em Portugal).


Colecção do nosso camarada, natural do concelho de Leiria, Agostinho Gaspar (ex-1.º Cabo Mec Auto Rodas, 3.ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72,  Mansoa, 1972/74),





Guiné > Bissau > s/d > Edifício da Alfândega. Cortesia de Instituto de Investigação Cientifica Tropical, Arquivo Histórico Ultramarino [Calcada da Boa-Hora, nº 30. 1300-095 Lisboa Portugal].  Foto editada por LG.

[Embora o edifício seja estadonovista, e seguramente da autoria de um arquiteto do Gabinete de Urbanização do Ultramar, não sei quem ele é, nem em que data exata foi construído. Pode ser que algum leitor nos ajude... Vd. Milheiro, Ana Vaz, e Dias, Eduardo Costa - A Arquitectura em Bissau e os Gabinetes de Urbanização colonial (1944-1974). usjt - arq urb , nº 2, 2009 (2º semestre), pp.80-114 [Disponível aqui em pdf ]

O nosso camarada Mário Dias que acompanhou o progresso de Bissau,nos anos 50, na época pós-Sarmento Rodrigues, faz explicitamente referência ao edifício da Alfândega, sito na nova zona portuária: "Outras obras importantes para o progresso de Bissau foram realizadas. As novas instalações da Alfandega e armazéns portuários junto à nova ponte cais, o novo hospital, (hoje Simão Mendes), a nova estação dos correios, renovação de toda a iluminação pública, abertura de novas ruas e avenidas, o quartel dos bombeiros, o novo cinema da UDIB, a sede do Benfica, a sede da Associação Comercial (hoje do PAIGC) e demais realizações que estavam, embora lentamente e com muito atraso, a trazer Bissau para a 'civilização' ".










Cortesia de Vd. Milheiro, Ana Vaz, e Dias, Eduardo Costa - A Arquitectura em Bissau e os Gabinetes de Urbanização colonial (1944-1974). usjt - arq urb , nº 2, 2009 (2º semestre), pp.80-114 [Disponível aqui em pdf ] (Como se vê da figura acima, o edifício da Alfândega é um dos que não está ainda datado...)



Guiné-Bissau > Bissau > Bissau Velho, com as ruas rebatizadas pelo PAIGC > 1975 > Planta da cidade > Localização de: (i) fortaleza da Amura; (ii) cais do Pidjiguiti (à esquerda); e (iii) porto de Bissau (à direita)... Alguns camaradas confundem, por vezes, a ponte-cais de Bissau com o cais do Pidjiguiti (para sempre associado aos acontecimentos de 3 de agosto de 1959)..

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2015)




Guiné-Bissau > Regão de Cacheu >Cacheu > 3 de Março de 2008 > A estátua de Diogo Gomes, agora em depósito na antiga fortaleza portuguesa do Cacheu...


Foto: © António Paulo Bastos (2009). Todos os direitos reservados [Edição: LG]

sábado, 12 de julho de 2014

Guiné 63/74 - P13392: Manuscritos(s) (Luís Graça) (36): Revisitar Bissau, cidade da I República, pela mão de Ana Vaz Milheiro, especialista em arquitetura e urbanismo da época colonial (Parte VII): O melhor edifício da cidade, a Associação Comercial, hoje sede do PAIGC, projeto do arquiteto Jorge Chaves, de 1949-1952

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Guiné > Bissau > s/d > Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Bissau. Bilhete Postal, Colecção "Guiné Portuguesa, 144". (Edição Foto Serra, C.P. 239 Bissau. Impresso em Portugal).

Foto: © Agostinho Gaspar / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guine (2010). Todos os direitios reservados [Edução: LG]




Foto: © Virgínio Briote (2005). Todos os direitos reservados



1. Manuscrito(s) (Luís Graça)

Nota de leitura > Ana Vaz Milheiro – Guiné-Bissau: 2011. Lisboa, Circo de ideias, 2012, 52 pp. (Viagens, 5)

Parte VII (*)

Continuação das nossas notas de leitura desta brochura da investigadora e professora do ISCTE -IUL, Ana Vaz Milheiro (que é também crítica do jornal "Público" e que, sabemo-lo,  utilliza
igualmente o nosso blogue como fonte de informação e conhecimento, graças ao seu valioso espólio documental sobre a ex-Guiné portuguesa).

Como temos referido em postes anteriores desta série, este livrinho, profusamente ilustrado com fotografias da autora, a cores, resulta de uma singular viagem à Guiné-Bissau, durante 10 dias, de 2 a 10 de outubro de 2011, .feita por ela e por outro colega arquiteto, bem como pelo antropólogo Eduardo Costa Dias, nosso grã-tabanqueiro.

Ironia da história (ou talvez não, os “vencedores”, em todas as guerras, ficam sempre com os melhores despojos…): “o melhor edifício” de Bissau, na opinião qualificada da nossa cicerone e especialista em arquitetura colonial estadonovista,. Ana Vaz Milheiro, é(era) a sede da nossa conhecida Associação Comercial. Industrial e Agrícola da Guiné, junto ao palácio do governador...

O propjeto é de um jovem arquitecto de Lisboa, Jorge Chaves, e a remonta a 1959-1953. Depois da saída dos portugueses em setembro de 1974,a sede da Associação Comercial  passará a ser, muito naturalmente, a sede do PAIGC, ou sejas. dos novos senhores do território, com Luís Cabral, irmão de Amílcar Cabral (1923-1973), como primeiro presidente da jovem república da Guiné-Bissau.

Mas quem era Jorge Chaves ? Um jovem (e ainda relativamente pouco conhecido) arquiteto de Lisboa que não pertencia ao Gabinete de Urbanização Colonial. Nasceu em 1920 e morreu em 1981. Seu nome completo: Jorge Ribeiro Ferreira Chaves

 (…) “Activo profissionalmente entre 1941 e 1981, é considerado um dos mais perfeccionistas arquitectos portugueses.

Realiza, em atelier próprio, desde 1946, várias dezenas de projectos, para Portugal continental, Madeira, Guiné e Angola, dos quais se destacam a Pastelaria Mexicana, a loja Palissi Galvani, os Laboratórios Cannobio, um edifício de habitação na Rua Ilha do Príncipe e o Hotel Florida, em Lisboa, o Hotel Garbe, o Hotel da Baleeira e o Hotel Globo, no Algarve, a Câmara de Comércio de Bissau e a Caixa Geral de Depósitos de S. Pedro do Sul.” (..)
(Fonte: Jorge Ferreira Chaves, Wikipédia)

Nascido em Cabo Verde, Jorge Chaves fixou-se definitivamente em Lisboa a partir de 1931.  Mas deixemos à Ana Vaz Milheiro a apresentação do edício:

(…) “O projeto é escolhido em concurso lançado em Lisboa, no Porto e em Bissau, em 1949. O representante do Sindicato Nacional dos Arquitectos no júri é então João Simões, arquitecto experimentado em projetos para os Trópicos. De estrutura pavilhonar, em L, o edifício do PAIGC introduz uma qualidade de desenho que será difícil igualar em outros momentos da cultura arquitectónica luso-guineense. No interior o programa de decoração deve ter contado com a colaboração de Luís Possolo, arquitecto do Gabinete, ainda que treinado na Architectural Association, em Londres, No início dos anos cinquenta, a resposta portuguesa a uma arquitectura tropical encontra aqui, portanto, a sua melhor expressão” (p. 26).

Na opinião de outros arquitectos de renome que trabalharam para África, o edifício desenhado por Jorge Chaves (com murais de José Escada), pelo arrojo das suas linhas, conforto, mordernidade e até riqueza, não ficava atrás da arquitectura de Brasília, por exemplo, e era unanimemente considerado como o melhor edifício que nós deixámos em Bissau, do ponto de vista arquitectónico.

Jorge Chaves não pertencia ao Gabinete de Urbanização Colonial (ou do Ultramar, como passou a ser chamado, a partir de 1951), e daí talvez a razão do projeto ter uma modernidade que não seria possível dentro do paradigma da arquitectura colonial de então, marcado pelos constrangimentos da funcionalidade, adaptação ao clima, resistência e uso de materiais de baixo custo de manutenção.

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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Guiné 63/74 - P13312: Manuscritos(s) (Luís Graça) (33): Revisitar Bissau, cidade da I República, pela mão de Ana Vaz Milheiro, especialista em arquitetura e urbanismo da época colonial (Parte VI): O novo bairro da Ajuda (1965/68), um "reordenamento" na estrada para o aeroporto...


Guiné-Bissau > Bissau > Localização do bairro da Ajuda, a oeste da cidadezinha colonial do nosso tempo, mais ou menos a seis quilómetros do centro, a caminho de Brá e do aeroporto, que fica a noroeste . Adaptado, com a devida vénia do mapa da Google.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


Guiné-Bissau > Bissau > Planta da cidade, no pós.independência. O bairro da Ajuda fica a seguir Missirá, a noroeste do centro histórico de Bissaum, mais iou menos a meia dúzia de quilómetros. Em frente ao bairro da Ajuda, do lado esquerdo da estrada que liga o centro de Bissau ao Aeroporto ( hoje, avenida Francisco Mendes, que parte do centro urbano). ficava o HM 241,  infelizmente conhecido de alguns de nós. (Antigo Pavilhão  de Tisiologia, depois da independência Hospital 3 de Agosto; foi desenho pelos arquitetos do Gabinete de  Urbanização do Ultramar,  Lucínio Cruz e  Mário de Oliveira (1951/53: fica hoje relativamente perto da Cooperação Portuguesa, e da Universidade Lusófona; em frente ao antigo HM 241, fica a Mesquita, no bairro da Ajuda).



Fonte: © Ana Vaz Milheiro (2012) (Reproduzido com a devida vénia)



1. Manuscrito(s) (Luís Graça)

Nota de leitura >  Ana Vaz Milheiro – Guiné-Bissau: 2011. Lisboa, Circo de ideias, 2012, 52 pp. (Viagens, 5)

Parte VI (*)

Continuação das nossas notas de leitura desta brochura da investigadora e professora do ISCTE -IUL, Ana Vaz Milheiro (que é também crítica do jornal "Público" e que, sabemo-lo, também utilliza
o nosso blogue como fonte de informação e conhecimento, graças ao seu valioso espólio documental sobre a ex-Guiné portuguesa).

Como temos referido em postes anteriores desta série, este livrinho, profusamente ilustrado com fotografias da autora, a cores,  resulta de uma singular viagem à Guiné-Bissau, durante 10 dias, de 2 a 10 de outubro de 2011, .feita por ela e por outro colega arquiteto, bem como pelo  antropólogo  Eduardo Costa Dias, nosso grã-tabanqueiro.

Reproduzimos, com a devida vénia, um excerto de um artigo que a autora publicou no "Público",  que é uma boa síntese da leitura desta cidade lusófona onde foi procurar e estudar a tão esquecida, tão maltratada (e às vezes subvalortizada pelos próprios  portugueses e guineenses) arquitetura colonial, e em particular a do Estado Novo:

(...) "A arquitectura que procurava foi produzida durante o regime do Estado Novo por arquitectos sediados em Lisboa e que trabalham para o Ministério das Colónias (depois de 1951, Ministério do Ultramar) como funcionários públicos. Nomes que raramente se citam e que correspondem a visões mais conservadoras, como João Aguiar, Lucínio Cruz, Eurico Pinto Lopes ou Mário de Oliveira, até aos “quase modernos”, casos de João Simões, Fernando Schiappa de Campos, Luís Possolo, António Seabra, António Sousa Mendes, Emília Caria, António Moreira Veloso, Alfredo Silva e Castro."

Recorde-se que esse Gabinete (originalmente, GUC - Gabinete de Urbanização Colonial) foi criado em 1944 pelo então ministro das colónias, Marcelo Caetano. Mas voltemos à Ana Vaz Milheiro:

(...)" Todos trabalharam para a Guiné. Mas é esta arquitectura, para lá de algumas estruturas fortificadas mais antigas (casos do fortim e Cacheu ou do forte de Amura, em Bissau), do edificado de sabor oitocentista (presente em Bafatá, por exemplo, ou na antiga capital Bolama), e dos equipamentos promovidos pela Primeira República, a expressão dominante.

"Percorrer Bissau, capital desde 1941, é visitar uma cidade jardim africana que mantém intacta a escala doméstica, ou melhor, uma City Garden nos Trópicos. Sucessivos bairros residenciais foram dando à cidade o perfil que hoje ostenta, desde o primeiro bairro de inspiração deco, composto por um conjunto de casas cúbicas para funcionários públicos erguidas antes de 1945, com terraços visitáveis, passando pelas casas construídas pelo arquitecto Paulo Cunha em 1946 (hoje figura quase omitida pela historiografia de arquitectura, mas personagem central na realização do famoso Congresso de 1948), terminando no bairro com casas de dois pisos para os funcionários dos Correios. A cidade é portanto um laboratório de habitação de promoção pública construída entre o final da Segunda Guerra e a década de 1960." (...) 

É bom ler-se e reler-se este parágrafo, sobretudo  aqueles de nós que têm de Bissau, cidadezinha colonial, memórias fragmentadas, umas mais doridas, outras mais  reconfortantes, já que foi para todos nós, ex-combabentes que estiveram no mato, uma placa giratória, um cais de partida, um local de passagem, de lazer, de escape, de "desenfianço", enfim, também um refúgio, "far from the Vietnam", como eu gostava de dizer nos meus escritos da época. Mas o que é que eu conhecia de Bissau ? O que é nós conhecíamos de Bissau ? A zona portuária, a baixa, o Chez Toi, o Pelicano... Fora do alcatrão, o máximo a que nos aventurávamos era o Pilão (Cupelom)... Fiquei lá uma noite e ninguém me cortou o pescoço...

Retomando o artigo da nossa Ana Vaz Milheiro:

(...) "Menos visíveis, porque em zonas periféricas e portanto sujeitas a maiores transformações, são as experiências no domínio da casa para as populações africanas realizadas pelos arquitectos que trabalham a partir de Lisboa e que se iniciam no final dos anos de 1950. Levantamentos sobre a casa guineense, nas suas diversas configurações étnicas, são conhecidos desde 1948. Orlando Ribeiro, em missão geográfica pelo território, em 1947, também se interessou pelo assunto.

"Mas os arquitectos propõem, na sequência dos seus próprios estudos, novos bairros e casas (melhoradas em termos de organização funcional, mas realizadas em sistema de auto-construção). A casa é então, e segundo defendem, um “meio civilizador” e portanto central. Facilmente reconhecível é o bairro de Santa Luzia, uma das primeiras experiências em alojamento para africanos impulsionadas pelo Estado Novo e, mais tarde, o bairro da Ajuda, erguido na década de 60. Este último destina-se aos desalojados do incêndio que, no início de 1965, destrói parte dos assentamentos informais que circundam a capital da Guiné. Em 1968, estão já terminadas 140 casas, ocupando um rectângulo de 300 por 700 metros. É traçado pelos serviços das Obras Públicas guineenses. Os fundos são angariados localmente e os trabalhos contam com o apoio das forças militares que, em plena guerra colonial, procuram cativar as populações." (...) 

[Fonte: Ana Vaz Milheiro: Viagem à arquitectura portuguesa da Guiné-Bissau. Público,  25/11/2012]

Já aqui falámos, em poste anterior, do bairro de Santa Luzia (onde estavam instalados o Quartel General e o a sede das Transmissões; as instalações do QG dariam  depois lugar, no pós-independência,  ao Hotel 24 de Setembro) (ª)... Já o bairro da Ajuda era, segundo penso,  menos conhecido de (e frequentado por) pela malta da tropa... Daí que valha a pena, reproduzir na íntegra a curta informação, telegráfica, que nos dá a nossa cicerone, a páginas 24 do seu caderno de viagem:



[Fonte: Ana Vaz Milheiro – Guiné-Bissau: 2011. Lisboa: Circo de ideias. 2012, p. 24. Reproduzido com a devida vénia...]


Informações a reforçar: (i) o  planeamento  do bairro da Ajuda  já não é da responsabilidade do Gabinete de Urbanização do Ultramar, sediado em Lsiboa, mas sim das Obras Públicas locais; e (ii) os trabalhos de construção têm o apoio dos militares... Estamos no ínício da "acção psico-social" e dos reordenamentos das populações, no interiro da Guiné, que vão contar com o apoio técnico e logístico do famoso BENG 447... Mas em 1966 discutia-se, na Câmara de Bissau, a hipótese de mandar arrasar e reordenar o famigerado Cupelom, suspeito de ser um "ninho de terroristas" (***)...

O nosso amigo e irmãozinho Cherno Baldé ligou, em tempos,  o nome do administrador Guerra Ribeiro (de seu nome completo Manuel da Trindade Guerra Ribeiro, que foi igualmente administrador de Bafatá, antes de o ser de Bissau) "à construção do Bairro-de-Ajuda, o único bairro digno deste nome na periferia da antiga Bissau construído na base de trabalho obrigatório" (****). De qualquer modo, antes do bairro da Ajuda, já aqui  foi referido o bairro, mais antigo, de Santa Luzia. É de 1948, ao tempo do Sarmento Rodrigues.
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Notas do editor:

(*) Vd., poste anteriro da série > 31 de maio de  2014 >  Guiné 63/74 - P13217: Manuscrito(s) (Luís Graça (31): Revisitar Bissau, cidade da I República, pela mão de Ana Vaz Milheiro, especialista em arquitetura e urbanismo da época colonial (Parte V): O bairro de Santa Luzia, de 1948: uma das nossas primeiras experiências de alojamento para populações nativas

Último poste da série > 12 de junho de 2014 > Guiné 63/74 - P13271: Manuscrito(s) (Luís Graça) (32): Estavam lindos os jacarandás quando deixei Lisboa... (Luís Graça)


(...) O Guerra Ribeiro, Administrador da Circunscrição, depois Conselho de Bafatá nos anos 60, era o terror dos nativos "indígenas" que viviam nos arredores ou visitavam a cidade, por força de uma medida administrativa que mandava prender e açoitar todos os nativos que nela entrassem de pés descalços.

A medida era inédita, controversa e paradoxal, porque no seu ambiente natural, salvo raras excepções (personalidades politicas ou religiosas), o nativo guineense, em geral, não usava sapatos no seu dia-a-dia e, também na fase inicial da colonização, o uso de sapatos entre o "gentio" ou era mal visto ou simplesmente proibido pela administração.

E, de repente, nos anos 60, o Administrador de Bafatá confundiu a mentalidade dos nativos com esta medida que intrigava muita gente e teria sido motivo para o surgimento de casos caricatos que ainda hoje se contam e são motivo de divertidas gargalhadas.

Com esta medida histórica, quem tivesse que passar por Bafatá, por qualquer motivo, sabia de antemão ao que era obrigado, mesmo que, por isso, tivesse que arrastar os pés ou andar como um coxo, porque os cipaios de Guerra Ribeiro estavam lá para fazer cumprir a ordem.

Assim, na região de Bafatá a história do uso de sapatos está intimamente ligada ao nome de Guerra Ribeiro, e a maioria dessas pessoas compravam o seu par de sapatos exclusivamente para satisfazer o Senhor Administrador de Bafatá.

O nome de Guerra Ribeiro está também ligado a construção do Bairro-de-Ajuda, o unico Bairro digno deste nome na periferia da antiga Bissau construido na base de trabalho obrigatório.

É por estas e outras coisas que, hoje, face a situação actual do pais, muita gente questiona (em especial os mais velhos) se não era melhor manter a ordem e a disciplina coloniais.

Um abraço amigo, Cherno Baldé (...)

sábado, 31 de maio de 2014

Guiné 63/74 - P13217: Manuscrito(s) (Luís Graça (31): Revisitar Bissau, cidade da I República, pela mão de Ana Vaz Milheiro, especialista em arquitetura e urbanismo da época colonial (Parte V): O bairro de Santa Luzia, de 1948: uma das nossas primeiras experiências de alojamento para populações nativas



Fonte: © Ana Vaz Milheiro (2012) (Reproduzido com a devida vénia)


1. Manuscrito(s) (Luís Graça)

Nota de leitura > Ana Vaz Milheiro – Guiné-Bissau: 2011. Lisboa, Circo de ideias, 2012, 52 pp. (Viagens, 5)

Parte V (*)

Continuação das nossas notas de leitura desta brochura da investigadora e professora do ISCTE -IUL, Ana Vaz Milheiro. Este livrinho, profusamente ilustrado com fotografias da autora, a cores. Recorde-se que o livrinho resulta de uma singular viagem à Guiné-Bissau, de 2 arquitetos (entre as quais a autora) e de 1 sociólogo (Eduardo Costa Dias, nosso grã-tabanqueiro), durante 10 dias, de 2 a 10 de outubro de 2011.

Reproduzimos, com a devida vénia, as pp. 2e 23, relativa à construção do nosso conhecido Bairro de Santa Luzia, uma das primeiras experiências, nas nossas colónias, de alojamento para  populações nativas. Estamos em 1948,. e era governador Sarmento Rodrigues:


.Guiné-Bissau > Bissau, capital do país. Planta da cidade, pós-independência. C. 1975. Escala 1/20 mil., O bairro de Santa Luzia ergue-se fora do limite da "cidade formal", a nordeste, tendo à sua esquerda o Cupelon, o nosso conhecido Pilão. Santa Luzia aparece assinalada a azui.

Imagem © A. Marques Lopes (2005) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados [Edição: L.G.]

Inforgrafia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2914).



Capa da brochura de Ana Vaz Milheiro – Guiné-Bissau: 2011. Lisboa, Circo de ideias, 2012, 52 pp. (Viagens, 5).

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Nota do editor:

Vd. poste anterior:

19 de maio de 2014 > Guiné 63/74 - P13164: Manuscrito(s) (Luís Graça (28): Revisitar Bissau, cidade da I República, pela mão de Ana Vaz Milheiro, especialista em arquitetura e urbanismo da época colonial (Parte IV): Na antiga avenida da República (, hoje Amílcar Cabral), os edifícios da Sé Catedral (João Simões, 1945) e dos Correios (Lucínio Cruz, 1950/55)

Poste anterior da da série > 29 de maio de  2014 > Guiné 63/74 - P13210: Manuscrito(s) (Luís Graça) (30) "Bem vindos, piras, ao primeiro dia do inferno que vai ser o resto das vossas vidas!"... Parabéns, capitão António Vaz!